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29 Jun, 2010  17:00

Fragmentação no iPhone?

Já é lugar-comum dizer que o perfil dos usuários de celular mudou muito. Agora, além de um bom aparelho, os aplicativos são determinantes para se escolher um novo celular: quanto mais aplicativos existirem, mais atrativo fica o aparelho. Por conta disso, tudo que for feito no sentido de melhorar a vida do desenvolvedor acaba sendo bom também pro fabricante do dispositivo, pois mais desenvolvedores implica mais aplicativos, enfim, tudo o que o usuário final deseja.

Porém, há um fator que sempre atrapalhou os desenvolvedores na hora de criar o seu aplicativo: a fragmentação. Pra quem não sabe o que isso quer dizer, vou explicar através de um exemplo. Quando desenvolvemos para Java ME, nunca temos certeza se o aplicativo irá funcionar em todos os aparelhos. Isso se deve a diversos fatores, seja porque a fabricante decide instalar uma versão mais antiga (ou mais nova) do CLDC, ou por questões de compatibilidade do hardware que se usa no dispositivo, enfim, sobra para o desenvolvedor testar em diversos aparelhos, e esperar que funcione na maioria deles.

Esse problema não ocorre só com Java ME, também acontecia com Windows Mobile: muitas vezes soluções corporativas eram desenvolvidas e homologadas para um aparelho, e as empresas ficavam presas àquele modelo, pois não havia garantias de que iria funcionar com outro, mesmo sendo da mesma fabricante.

Daí veio o desenvolvimento para iPhone, e esse problema quase não existia: praticamente sempre o mesmo hardware, poucas alterações entre as atualizações do sistema operacional do aparelho, mesmo tamanho de tela, enfim, a vida para nós desenvolvedores foi facilitada. Hoje em dia, um dos principais concorrentes do iPhoneOS, o Android, embora tenha um bom SDK, sofre muito com esse problema. Basta colocar no Google "fragmentação android" e ver que há diversos textos tratando disso como não só como um problema, mas como uma ameaça à plataforma.

Porém, nos últimos meses surgiram diversas novidades vindas da empresa de Cupertino: surgiu o iPad, com tamanho diferente de tela e sem câmera, veio o novo sistema operacional - o iOS4 -, e com ele a notícia de que os aparelhos mais antigos (2G para baixo) não poderiam ser atualizados, e o novo iPhone, também com nova resolução de tela. Por conta disso, começou a rolar na internet alguns textos que afirmavam que estaria começando o processo de fragmentação do iPhone.

Não se pode negar que alguns percalços realmente existam por causa dessa avalanche de atualizações: aqui na Mobits, por exemplo, só temos um computador habilitado para fazer build abaixo da versão 3.2. Isso sem contar que, para fazer um aplicativo universal, a própria Apple afirma que você deverá ter mais trabalho. Porém ainda não é nada perto ao que encontramos nas outras plataformas. Não se trata de uma defesa cega da Apple (como se ela precisasse), mas desenvolver para iPhone ainda é mais fácil do que para as outras plataformas. E isso acaba explicando o porquê ela tem tantos aplicativos disponíveis, enquanto outras, como Symbian, vão minguando no mercado de smartphones.

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